Entenda como as máquinas de cartão estão contribuindo para a inclusão financeira

Maior concorrência deu liberdade para clientes e empreendedores

O Brasil é um dos países que tem a maior adoção de meios de pagamento digitais no mundo, e o cartão de crédito é o maior exemplo disso. Não é à toa que além dos cartões em si, a proliferação de máquinas para MEI e outras empresas também cresceu.

De acordo com dados do Banco Central (Bacen), o total de pagamentos com cartão de crédito e débito somados atingiu quase R$ 8,5 bilhões somente no último trimestre de 2022. Com mais clientes utilizando cartões, a quantidade de estabelecimentos que adotam esse meio de pagamento também cresceu.

Um fator crucial para determinar esse aumento foi a abertura do mercado feita pelo Bacen nos últimos anos. Com mais concorrência, a oferta de maquininhas aumentou e contribuiu para dar maior independência financeira para pequenos empreendedores.

Um quase monopólio

No entanto, a inclusão financeira nas maquininhas de cartão é um fenômeno muito recente no Brasil. De fato, há pouco mais de 10 anos o setor era dominado por basicamente duas empresas: Cielo e Rede. Quem fosse a uma loja e pagasse com cartão provavelmente usaria uma dessas duas.

Isso porque o setor de processamento de pagamentos era quase um monopólio controlado por essas duas empresas. Não era fácil que outra companhia se estabelecesse segundo as regras que existiam até 2012, que protegiam as gigantes do setor.

Como operavam em um quase monopólio, Cielo e Rede podiam cobrar os valores que quisessem dos estabelecimentos. Afinal, as lojas só tinham duas empresas a quem recorrer para aceitar pagamentos em cartão. E como o uso da ferramenta já estava disseminado, quem não aceitasse cartão certamente perderia muito faturamento. 

Nessa época, era comum que as taxas cobradas nas máquinas de cartão fossem bastante elevadas. As empresas cobravam altas mensalidades para o uso da máquina de cartão, bem como taxas elevadas para cada compra efetuada. Por isso, somente empresas de médio e grande porte é que aceitavam cartão, já que seu volume de vendas compensava os altos custos de manter as máquinas.

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A “guerra das maquininhas”

Contudo, isso mudou após o Bacen aprovar uma liberalização do setor em 2013, flexibilizando regras e permitindo a entrada de concorrentes. Isso deu início a chamada “guerra das maquininhas”, como ficou chamada a expansão no uso dos pontos de venda via cartão.

Imediatamente, o mercado brasileiro recebeu várias opções de maquininhas de cartão de crédito. O monopólio da Cielo e Rede deu lugar a nomes como Stone, GetNet, SumUp, SafraPay, PagSeguro e MercadoPago, para citar alguns nomes que ganharam fatia de mercado recentemente.

Isso levou as próprias Cielo e Rede a criarem opções de menor custo no mercado, para competir com essas marcas. Com o aumento da concorrência, até mesmo pequenos empreendedores começaram a aceitar cartão de crédito e débito em seus negócios. Por isso tornou-se comum ver até vendedores ambulantes com uma maquininha de cartão em mãos.

Os custos das máquinas de cartão

De maneira geral, o setor de máquinas de cartão possui três formas de gerar receita:

  • taxas de vendas cobradas por cada transação no crédito ou débito;
  • preço de venda ou aluguel da maquininha;
  • custo de antecipação de recebíveis.

Logo de cara, o aumento da concorrência praticamente eliminou o custo de aluguel, substituindo-o pela venda. Na época do monopólio, as empresas cobravam uma taxa mensal para disponibilizar a máquina, e esta taxa poderia superar os R$ 200 – somente para aluguel. Hoje em dia, qualquer pessoa pode comprar uma máquina por menos de R$ 200 de uma só vez, sem pagar mais nada.

Já a antecipação de recebíveis é cobrada quando o lojista não quer esperar os 30 dias de prazo para receber o valor da compra. No entanto, a concorrência levou as operadoras a reduzirem muito esse período, com várias delas efetuando o pagamento em até 5 dias.

Por fim, a inclusão financeira das maquininhas resultou em custos mais baixos nas taxas de compras, o que impacta menos o faturamento dos negócios. Isso contribuiu para torná-las acessíveis a milhares de pequenos empreendedores e ajudá-los a formalizar seus meios de pagamentos.

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